sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Ataque à presa

Tudo começou em tamanho muito pequeno...disfarçadas pela escuridão da noite, estavam à espreita as temíveis e assassinas feras que, com audácia e astúcia afiavam as suas garras enquanto esperavam um passo em falso da sua presa...ATACARAM-NA.
A vida dessa presa era assombrada por sonhos, sonhos premonitórios, sonhos instigadores. São eles a própria trama, os estimulantes da vida mental.
A perfeição estava em não se ter a ousadia nem originalidade, em não buscar novos caminhos, em não desejar novos horizontes, nem sobretudo levantar a voz em balido diferente do das restantes presas.
As chamas da fogueira estava lá para as criaturas com ânimo mais indisciplinado e rebelde. As últimas palavras da presa são o reflexo da luta existente entre o homem novo e o poder antigo, que podia matar ou torturar o corpo, mas jamais o pensamento da presa: "Talvez seja mais forte o vosso receio ao pronunciarem a sentença do que o meu ao suporta-la. Prefiro uma morte honrosa a uma vida cobarde!"
Asfixiada entre o bem e o mal e anestesiada com superstições, beberagens e sonhos, assim se desenrolava a vida da presa, cujo legado cultural não pode ser escamoteado sob pena das árvores da sabedoria milenar, secaram, pairando suspensas no tempo, desgarradas da temporalidade que as engendrou.
Triste história, triste caso!
(...)