quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Teia

(Continuação)

Vou tecendo uma especifica teia de instruções que sustenta o peso das minhas palavras.
O que estou a escrever neste momento deixou-te apenas um percurso possível; só que no percurso que seguires, traças à partida uma determinada rota, que de pensamento em sentimento, de sonho em solidão, de susto em segredo, de sofrimento em ternura, descobrirás a mensagem nele descrita.

(...)

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

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(Aparte)

A vida obriga-nos incessantemente a chorar, quer por antecipação, quer por recordação ...
Autor: François Chateaubriand

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Descobrir

Descobrir é estar sempre a partir e a chegar e de novo a partir e de novo a chegar...por isso escrevo, talvez na tentativa de descobrir a minha própria identidade.
Dos textos que escrevo cabe-me a tarefa de os ter e de ter a felicidade de alguém os ler. Quem for ousado e a quem entrar no mundo da minha escrita, cabe-lhe a tarefa de descobrir as ligações subtis, de as descascar, de perceção em perceção, de saber os elos que as ligam, de desembaraçar os nós dos fios que eventualmente as unam, de imaginar um trajeto.
São as sentidas palavras que escrevo, que me sabem guiar por obscuros percursos de súbito claros, como se cada um fosse uma pequena pedra luminosa de uma estrada qualquer que inevitavelmente me levasse a algum lugar desde já desconhecido.



(...) - continua

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

As bagas de suor disfarçavam lágrimas mal contidas

Deitei-me à beira-mar, com a cabeça sobre o teu peito. Apetecia-me adormecer assim e deixar vogar o pensamento como o barco que se avistava ao longe, porque me sentia bem naquele momento. Sentia-me segura, viva...quanto estamos juntos é tudo tao verdade! Na atmosfera prenhe de suor e poeiras, o tufo e o ar formam um só corpo, uma só mentalidade, um só amor. Cai-me por baixo dos olhos a frase que mais sentido tem na vida...
O AMOR NÃO É UM JOGO, PELO MENOS NÃO DEVERIA SER! TORNA-SE FACILMENTE COMPLICADO FALAR DE ALGO TÃO INDESCRITIVEL.






(...)

No alto o azul, no fundo o mar...

... que desmaia e se dissolve em ouro no horizonte.
A brasa do nosso amor, ao mergulhar vai fazer explosão.
No mar, grandes chapadas de prata na esteira do sol, que no areal reverbera e ofusca.
Nortada rija enchendo a boca de areia e de salpicos de espuma amaga.
Sinto-me afogada em luz e agitada de vida, no azul do céu e na onda que enconcha e estoira, repercutindo-se em som e espalhando-se em pó esverdeado.
Reverberação de sol, poeira de água luminosa que vibra e estremece.
Depois largas-me, corro ao fundo, entro na água que esguicha e segues-me, caímos na água salpicada de espuma. Por cima de nós, o ar parece tremer, agitado pelas baforadas de calor que se desprendiam sobre nós.
Desprendia-se um bafo de suor. Sentia-me derreada pela violência do calor que me trespassava a blusa.
(...)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A fórmula não é original, mas se fosse possivel era fantástica

Excessiva, alucinada serei, mas tua de verdade, sem traição, se assim te cheiro ainda hoje e me comovo por me sentir viva nas tuas mãos, minha terra sem limites, guardada metro a metro por sombras que não entendem.
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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Eu bem sei que sou o meu único fim

É bom saber que pelo menos o meu sonho megalómano é maior que a própria dor!
Espero sinceramente descobrir que para ser feliz não é preciso andar guardada em bolas de naftalina, nem ter medo desses outros mundos em que o tempo não corre à velocidade do nosso!
Continuo a desafiar a gravidade...é simplesmente um sentimento único!
Cá neste mundo, temos de optar por uma vida, uma família, uma cultura, um amor e não outros. Estes amigos e não outros .... mantermo-nos mais ou menos coerentes com a linha que traçamos, com a rota que seguimos.
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terça-feira, 27 de julho de 2010

É para o rosto humano que escrevo

É um fio que lanço e que vou agarrar no dia seguinte.

Escrevo na tentativa de desabafar. Nem sequer é uma questão de silêncio!
Escrevo em qualquer momento, em qualquer lugar; há uma grande diversidade de locais onde me posso exprimir e desabafar, através das palavras!
Para mim esses locais nunca são muito definidos, é como se vivesse em permanente transbordo de uma divisória para a outra, à procura de novos ângulos e vibração.

Gostava de poder exprimir a simultaneidade de emoções, de pensamentos, capacidade de mutação que atinge um ser vivo com a máxima profundidade do íntimo!

Nos meus textos nada se passa! É a atmosfera que conta.
O modo de contar, esse sim, já é uma maneira muito minha de transmitir um universo submerso: uma personalidade que poucos conhecem!

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Vivendo


Não consigo falar com ninguém.
Recuso-me a dar muitos pormenores, era falar de momentos que dizem respeito só a mim. Seria falar de momentos singulares!

Neste momento, agora, não estou a sentir os dias, as horas. O tempo é uma dimensão que abrange um horizonte muito largo e muito longínquo.
Passo os dias "vivendo"!

Acho que uma pessoa que pode contar todo o seu dia-a-dia, não viveu nada e é por razoes como esta que me recuso a falar.

Gosto de sentir o que as pessoas dizem. Não arquivo certas falas na minha memoria. O texto tem desde sempre uma realidade natural.

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A Descoberta

Jamais esquecerei o dia em que fiz uma das descobertas mais surpreendentes da minha vida.
Anseio um mundo diferente, estar presa aos seus encantos, para que possa untar-me de delicias nele existentes e ele consiga assim saborear a minha pele.

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domingo, 25 de julho de 2010

Diz-me com sinceridade, quem sou eu hoje e quem serei amanha?

A sombra do meu corpo, como chama atraiçoada entrelaça-se no meu ego...o sonho...a noite...o desejo de melhorar.
Sonora e profunda, aquele mundo que eu sonhara e perdera...espera o peso dos meus gestos.

Apareceu-me repentinamente uma enorme vontade de chorar. embargou-se-me a voz, as palavras começaram a sair todas cortadas...
Apressada deitei a ponta dos dedos a uma das lágrimas que queria rebentar, e ali mesmo a esmaguei, segurando as outras todas que já vinham numa carreirinha para fazerem pranto.
Baixei a cabeça por alguns instantes....desconheço quando a irei erguer novamente com um leve sorriso...

Recordo-me que assim que a ergui, os meus olhos castanhos demoraram-se em mim, parecendo pedir-me alguma coisa. Era talvez para que eu ficasse mais tempo. Senti-me desejada; senti uma profunda transparência até à alma.

(...)

Nos meus olhos havia um aviso...

Muitas pessoas fazem mal por amor.
Vivo uma aventura que nem eu julgava possível, atendendo à incompatibilidade da minha personalidade.

O mar dá-me tudo o que preciso: descanso.
Parece que a minha simples existência é um perigo para alguém.
Não preciso de ser princesa para ser feliz! Basta-me ser livre e poder gozar a natureza...

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O supérfluo do abismo

Habitual, inconstante?
Talvez!
Sou tudo o que deveria ser.
Traçaram o meu perfil de acordo com o que já cá existia no mundo. Sou de todo diferente com o que já cá existe.
Já nada faz sentido...troquei silêncios por mim.
Desisti de mim.
Gradualmente, vou abandonando o meu corpo.
Questiono-me se não estarei a tornar-me num "cliente".

(...)

Se o amanha vier talvez me esconda...

Se o amanha vier talvez me esconda...
A morte não me sorri...deixo, deixo que assim seja.
Desespero, desalento.
Sinto-me sozinha, no entanto rodeada por muita gente!

Preciso de um filtro de paz e esquecimento, pois tudo é tão complicado! Preciso de um veneno subtil para a minha existência.

Nasce-me na alma um conflito de desejos. Contudo, por mais que tente sentir...NADA.

(...)