sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Ataque à presa

Tudo começou em tamanho muito pequeno...disfarçadas pela escuridão da noite, estavam à espreita as temíveis e assassinas feras que, com audácia e astúcia afiavam as suas garras enquanto esperavam um passo em falso da sua presa...ATACARAM-NA.
A vida dessa presa era assombrada por sonhos, sonhos premonitórios, sonhos instigadores. São eles a própria trama, os estimulantes da vida mental.
A perfeição estava em não se ter a ousadia nem originalidade, em não buscar novos caminhos, em não desejar novos horizontes, nem sobretudo levantar a voz em balido diferente do das restantes presas.
As chamas da fogueira estava lá para as criaturas com ânimo mais indisciplinado e rebelde. As últimas palavras da presa são o reflexo da luta existente entre o homem novo e o poder antigo, que podia matar ou torturar o corpo, mas jamais o pensamento da presa: "Talvez seja mais forte o vosso receio ao pronunciarem a sentença do que o meu ao suporta-la. Prefiro uma morte honrosa a uma vida cobarde!"
Asfixiada entre o bem e o mal e anestesiada com superstições, beberagens e sonhos, assim se desenrolava a vida da presa, cujo legado cultural não pode ser escamoteado sob pena das árvores da sabedoria milenar, secaram, pairando suspensas no tempo, desgarradas da temporalidade que as engendrou.
Triste história, triste caso!
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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

É quase um crime viver!!

Quando eu nasci não houve nada de novo, senão eu...eu e a minha situação.
Vejo-me de queixo caído, a apertar as mãos contra o meu peito! Tinha os olhos fechados. O pulso forte. Os factos miúdos que me estragaram a vida, pegam-me de novo e tornam a arrastar-me.
Desviam-me cada vez mais de toda a gente e isolam-me numa apatia da qual não tenho forças para escapar.
Sei e ouço as respostas às minhas palavras, vejo as maneiras peculiares de mexerem os lábios, de sorrirem com tristeza, ou de ficarem taciturnos por largos espaços.
Estas e outras coisas acarretam-me a fama de ter o miolo avariado. Eu sei!! Há até quem se ponha a seguir as minhas manobras e sorria.

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Confesso-me

Gritos de dor e desespero juntavam-se num só rumor, grosso e possante como os rumores do cataclismo.
Gostava de poder procurar nesses seres amargurados pela vida o que ainda ninguém descobriu.
A guerra não pode encobrir a sua inocência, a sua ingenuidade, a sua fragilidade e principalmente a sua existência.
Apesar de tudo, são tão humanos quanto nós somos. Só porque possuem esperanças perdidas.
Gostava de poder mostrar-lhes o voo dos sonhos e as viagens dos cavalos mágicos.
Gostava de poder fazer com que voltassem a sonhar e a agir de acordo com a faixa etária a que pertencem!
Não lhes podem roubar a felicidades de serem crianças...
Pedem a Deus que mandem um alívio a cada sofrimento. Que mandem uma estrela a cada escuridão.
Gostava de poder despertar nelas coisas para amar.
Sonho um dia conseguir salva-las, transporto campos de esperança no coração e a liberdade no meu olhar...
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Tornar real

Quero ajudar a tornar verdade o sonho de milhares de crianças.
O seu imaginar é convertido num súbito chorar, e nuns suspiros que rompem os ares. A alma das dores rodeada e de pesares, desamparada e descoberta aos tiros.
Essas crianças sentem-se varridas pelos ventos do inferno e curtidas por frios de rachar.
Acho que não é preciso dizer mais nada...
Gostava de poder providenciar um futuro cor-de-rosa para estas crianças. Partilhar com elas os sonhos, as vontades, o amor e a LIBERDADE.
A vida pulula, a vida pródiga e incessante e elas não dão conta!
Estão fartas de manhãs húmidas e tardes sujas pela tristeza.
O que é que as entristece? A fuga do tempo? A saudade de uma inocência que estão agora a inventar?
Mas, se é tão sincera esta emoção!
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Arriscar?! Lutar?!

Por vezes, não arrisco quando suspeito que, no fundo, no fundo, só queria saber como teria sido se, em vez de virar à direita, tivesse virado à esquerda.
Isto não é mais do que querer tudo ao mesmo tempo, sem abrir mão de nada.
Uma verdadeira lição para algumas pessoas, que não se contentam apenas com uma alternativa.
Gosto de poder fazer o que me dá na real gana!
Gosto de lutar contra injustiças, a favor de causas humanas. Não luto só para inglês ver, luto na tentativa de conseguir a mudança e de marcar alguns pontos com a minha conquista, que é, nem mais nem menos que, a liberdade de um povo sofrido.

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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Memorizar tudo o que se passou

Por falar em memória...quando não consigo lembrar-me do nome de alguém, é bem capaz de ser apenas porque esse alguém não me consegue despertar emoções.
Emoções....
Pouco a pouco foi-se acentuando um procedimento abstractivo e tornou-se mais intensa e dramática a minha busca expressiva.
Gostava de começar tudo de novo, do principio e só não começo porque tenho demasiado a perder.
Estão constantemente a colocar-me perante o TUDO ou NADA, num tempo em que as licenças sem vencimento, a nível profissional ou emocional, são cada vez menos toleradas.
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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A Descoberta

Descubro agora que o mundo está lá fora à espera de um sorriso meu!
Fiz exercícios de acrobacia, por amor dos pontos de vista.
Decidi ser igual a mim, porque gosto mais de ser eu: SOLTA e LIVRE.



O sentimento de liberdade renova-me a alma: o mergulho, o contraluz, a estrada de terra batida que se perde lá longe, o espelho de água e o sol incendeia as linhas que correm no terreno, traçadas a régua e esquadro, o contraste das cores - o amarelo, o verde, o azul, o rosa e o branco, e depois todo aquele deslumbramento de voar como os pássaros, na euforia da gravidade ultrapassada!

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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Gosto de ousar, de arriscar!

A minha persistente teimosia faz-me levar as coisas até ao extremo...quero vê-las nascer, acompanhar o seu desencadeamento, até ao seu etc...
Ergo a cabeça, cheia de importância, observo o movimento.
Arrastada pelo vento, comecei a ondular-me levemente, pois era essa a minha maneira de sorrir.
Incrivelmente, esse tempo chegou.
Um dia descobriste-me sentada numa cadeira, sem nada que fazer.. Estava só. Conquistara o futuro!
Todas as tarefas estavam definitivamente cumpridas e eu estava disponível para grandes acontecimentos.
Fiquei franzida de medo, vendo à minha frente um enorme vazio, todas as energias do futuro haviam sido gastas em cada presente que eu vivera.
Arrumei este sentimento numa gaveta fechada a sete chaves.


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Sonho?! Dúvidas?!

Se o homem de hoje está a caminhar em passos agigantados para a travessia das imensidades cósmicas, porque não hei-de ser capaz de vencer outros combates que estão nos mais altos cumes das minhas aspirações?
Porque não se resolveram sob o mesmo império da inteligência e da vontade, tantas outras questões fundamentais da felicidade coletiva que preocupam as consciências mais esclarecidas?
É-me atribuída uma frustração tão grande, por nada poder fazer.
Revolto-me com o sistema!
Revolto-me ainda mais por saber que nós é que fazemos o sistema.
Já me senti como se não fosse ninguém, mas uma coisa com razão!
Sempre que tento contrariar o sistema, provocar uma reação inversa ao habitual, penso sempre que é assustador dar o meu melhor e pensar que não é suficiente....


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