terça-feira, 27 de julho de 2010

É para o rosto humano que escrevo

É um fio que lanço e que vou agarrar no dia seguinte.

Escrevo na tentativa de desabafar. Nem sequer é uma questão de silêncio!
Escrevo em qualquer momento, em qualquer lugar; há uma grande diversidade de locais onde me posso exprimir e desabafar, através das palavras!
Para mim esses locais nunca são muito definidos, é como se vivesse em permanente transbordo de uma divisória para a outra, à procura de novos ângulos e vibração.

Gostava de poder exprimir a simultaneidade de emoções, de pensamentos, capacidade de mutação que atinge um ser vivo com a máxima profundidade do íntimo!

Nos meus textos nada se passa! É a atmosfera que conta.
O modo de contar, esse sim, já é uma maneira muito minha de transmitir um universo submerso: uma personalidade que poucos conhecem!

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Vivendo


Não consigo falar com ninguém.
Recuso-me a dar muitos pormenores, era falar de momentos que dizem respeito só a mim. Seria falar de momentos singulares!

Neste momento, agora, não estou a sentir os dias, as horas. O tempo é uma dimensão que abrange um horizonte muito largo e muito longínquo.
Passo os dias "vivendo"!

Acho que uma pessoa que pode contar todo o seu dia-a-dia, não viveu nada e é por razoes como esta que me recuso a falar.

Gosto de sentir o que as pessoas dizem. Não arquivo certas falas na minha memoria. O texto tem desde sempre uma realidade natural.

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A Descoberta

Jamais esquecerei o dia em que fiz uma das descobertas mais surpreendentes da minha vida.
Anseio um mundo diferente, estar presa aos seus encantos, para que possa untar-me de delicias nele existentes e ele consiga assim saborear a minha pele.

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domingo, 25 de julho de 2010

Diz-me com sinceridade, quem sou eu hoje e quem serei amanha?

A sombra do meu corpo, como chama atraiçoada entrelaça-se no meu ego...o sonho...a noite...o desejo de melhorar.
Sonora e profunda, aquele mundo que eu sonhara e perdera...espera o peso dos meus gestos.

Apareceu-me repentinamente uma enorme vontade de chorar. embargou-se-me a voz, as palavras começaram a sair todas cortadas...
Apressada deitei a ponta dos dedos a uma das lágrimas que queria rebentar, e ali mesmo a esmaguei, segurando as outras todas que já vinham numa carreirinha para fazerem pranto.
Baixei a cabeça por alguns instantes....desconheço quando a irei erguer novamente com um leve sorriso...

Recordo-me que assim que a ergui, os meus olhos castanhos demoraram-se em mim, parecendo pedir-me alguma coisa. Era talvez para que eu ficasse mais tempo. Senti-me desejada; senti uma profunda transparência até à alma.

(...)

Nos meus olhos havia um aviso...

Muitas pessoas fazem mal por amor.
Vivo uma aventura que nem eu julgava possível, atendendo à incompatibilidade da minha personalidade.

O mar dá-me tudo o que preciso: descanso.
Parece que a minha simples existência é um perigo para alguém.
Não preciso de ser princesa para ser feliz! Basta-me ser livre e poder gozar a natureza...

(...)

O supérfluo do abismo

Habitual, inconstante?
Talvez!
Sou tudo o que deveria ser.
Traçaram o meu perfil de acordo com o que já cá existia no mundo. Sou de todo diferente com o que já cá existe.
Já nada faz sentido...troquei silêncios por mim.
Desisti de mim.
Gradualmente, vou abandonando o meu corpo.
Questiono-me se não estarei a tornar-me num "cliente".

(...)

Se o amanha vier talvez me esconda...

Se o amanha vier talvez me esconda...
A morte não me sorri...deixo, deixo que assim seja.
Desespero, desalento.
Sinto-me sozinha, no entanto rodeada por muita gente!

Preciso de um filtro de paz e esquecimento, pois tudo é tão complicado! Preciso de um veneno subtil para a minha existência.

Nasce-me na alma um conflito de desejos. Contudo, por mais que tente sentir...NADA.

(...)