quarta-feira, 12 de outubro de 2011

É quase um crime viver!!

Quando eu nasci não houve nada de novo, senão eu...eu e a minha situação.
Vejo-me de queixo caído, a apertar as mãos contra o meu peito! Tinha os olhos fechados. O pulso forte. Os factos miúdos que me estragaram a vida, pegam-me de novo e tornam a arrastar-me.
Desviam-me cada vez mais de toda a gente e isolam-me numa apatia da qual não tenho forças para escapar.
Sei e ouço as respostas às minhas palavras, vejo as maneiras peculiares de mexerem os lábios, de sorrirem com tristeza, ou de ficarem taciturnos por largos espaços.
Estas e outras coisas acarretam-me a fama de ter o miolo avariado. Eu sei!! Há até quem se ponha a seguir as minhas manobras e sorria.

(...)

Confesso-me

Gritos de dor e desespero juntavam-se num só rumor, grosso e possante como os rumores do cataclismo.
Gostava de poder procurar nesses seres amargurados pela vida o que ainda ninguém descobriu.
A guerra não pode encobrir a sua inocência, a sua ingenuidade, a sua fragilidade e principalmente a sua existência.
Apesar de tudo, são tão humanos quanto nós somos. Só porque possuem esperanças perdidas.
Gostava de poder mostrar-lhes o voo dos sonhos e as viagens dos cavalos mágicos.
Gostava de poder fazer com que voltassem a sonhar e a agir de acordo com a faixa etária a que pertencem!
Não lhes podem roubar a felicidades de serem crianças...
Pedem a Deus que mandem um alívio a cada sofrimento. Que mandem uma estrela a cada escuridão.
Gostava de poder despertar nelas coisas para amar.
Sonho um dia conseguir salva-las, transporto campos de esperança no coração e a liberdade no meu olhar...
(...)

Tornar real

Quero ajudar a tornar verdade o sonho de milhares de crianças.
O seu imaginar é convertido num súbito chorar, e nuns suspiros que rompem os ares. A alma das dores rodeada e de pesares, desamparada e descoberta aos tiros.
Essas crianças sentem-se varridas pelos ventos do inferno e curtidas por frios de rachar.
Acho que não é preciso dizer mais nada...
Gostava de poder providenciar um futuro cor-de-rosa para estas crianças. Partilhar com elas os sonhos, as vontades, o amor e a LIBERDADE.
A vida pulula, a vida pródiga e incessante e elas não dão conta!
Estão fartas de manhãs húmidas e tardes sujas pela tristeza.
O que é que as entristece? A fuga do tempo? A saudade de uma inocência que estão agora a inventar?
Mas, se é tão sincera esta emoção!
(...)